Teremos na mão a verdade
Quando não tivermos vontade
Os olhos fecharmos
E com a noite contarmos
Perdidos em momentos
Viajando com os ventos
Alma escancarada ao mar
Forte impulso de estar
Boca firme de desejo
Pele molhada de beijo
Trigo de ventre aberto
Lonjura de estar perto
Chuva branca de jasmim
Principio que não tem fim
É nisto que está o verdadeiro
Em cada momento derradeiro.
Monday, January 8, 2007
Posted by
Verbo do Mundo
at
1:57 PM
1 comments
Seduzes-me porque não me seduzes
Tocas-me porque não me tocas
Sinto-te no que não fazes, fazendo
És, e chega, que é tanto
E este poema escreve-se sem mim
Que eu não sei parar o que me escorre da alma
Porque transbordei-me de ti.
Posted by
Verbo do Mundo
at
11:10 AM
4
comments
Saturday, January 6, 2007
TERNOGRAFIA
Teus cabelos pingaram sobre o meu peito
No meio de um arfar rarefeito
Beijaste-me a testa de mansinho
Como taça branca despeja o vinho
Sorriste com olhos entorpecidos
Pingos de sangue por amor vencidos
A nossa paixão feroz, saciada
Levou-nos à paz, à enseada
Nossos corpos, ardentes sóis
Rolaram de bordo nos lençóis
Separados de corpo, não de alma
Permanecemos juntos nesta calma
O imenso silêncio que nos olhava
Tocou-nos de eterno, pois amava
Neste subir inerte, tão profundo
Deixou repente d’haver mundo
Ficámos sós, a respirar
E o divino, longe, a invejar.
Posted by
Verbo do Mundo
at
5:58 PM
0
comments
Lá, onde a liberdade é não pensar em liberdade
As coisas são o que são, sem murmúrios
Sem nada que as separe do que é ser
Nem mesmo o saber que são
E a vida não tem quem fale dela
E se esqueça de viver
Com fome de sim e de não
Lá, onde não há aqui
Os olhos abrem e fecham
Sem nunca deixar de ver
Que o céu é chão
E as palavras são só isso, palavras
Não há vontade de as escrever
Porque entopem o coração.
Posted by
Verbo do Mundo
at
2:07 PM
0
comments
Hoje estou em dia não
Era quarta-feira quando acordei
Mas o dia ficou teimoso
Dia não
Gosto do dia sim
Do dia talvez
E do eventualmente
Não gosto do dia não
Não dá para conversar com ele
Sem ficar com dor de cabeça.
Posted by
Verbo do Mundo
at
3:48 AM
0
comments
Friday, January 5, 2007
Procurei-te em sonhos esquecidos na vertigem da dor
Lancei-me na conquista de partes de ti onde não estavas
Lutei com a noite e com o demónio da tua ausência
Estilhacei-me em escombros de mim mesmo, por ti
Marquei a carne com o aço fervente da minha fúria
Beijei a morte com a paixão do desespero
E morri…
Acordei como flor vermelha hasteada em frente ao Mundo
Para teus olhos verem, meu amor
Por favor não me colhas
Cresce comigo.
Posted by
Verbo do Mundo
at
4:11 PM
2
comments
Ser livre
Ser tudo
E tudo poder ser
Ser mar
Ser Mundo
E nada ser não ter
Viver o sonho
Comer a vida
E ter o céu como corpo
Saltar o nunca
Furar o não
Mudar destino com um sopro
E ter, ter, ter, ter
Tanto que não haja mais a querer
Nada, não ter mais nada a ser
Movimento absoluto de não fazer
Não ter limite, nunca
E ser, só sendo, a viver
No todo que me espera
De não ter dia de morrer.
Posted by
Verbo do Mundo
at
4:02 PM
1 comments
Nunca te beijei
Mas já te beijei tantas vezes
Em sonhos de mel desejo
Suspiro em forma de beijo
Nunca te beijei
Mas beijo-te a todo instante
Em sorrisos que me sinto
Novos quadros que me pinto
Nunca te beijei
Mas beijo-te para sempre
Sem futuro que eu tema
Beijo em forma poema.
Posted by
Verbo do Mundo
at
4:00 PM
1 comments
Nunca te vi, mas sinto-te em mim
Como palavra que já soube e esqueci
Como palavra debaixo da língua que quero lembrar
Palavra que, sei, eu soubesse, traria todas as palavras
As palavras que falam do riso
As que falam do prazer
As que falam do que tremo quando me escreves
E aquelas que falam do tanto que sonhei contigo
Sem te ver
Sem saber
Mas sabendo
Que um dia te lembrarei
Na alma
No corpo
Naquilo que não sei dizer
E recordarei quem tu és
E recordarei quem eu sou.
Posted by
Verbo do Mundo
at
3:09 PM
0
comments
Labels: Tu
É tão grande o mar que tenho dentro
Tão grande, tão grande
Por vezes afogo-me nele
E já não sou eu
Neste mar que é meu
Mas que me é tão estranho
E tão cheio de tudo e de tanto
Este mar que não sou eu
Navega-me por ser seu
Tudo o que já me doeu
Tão grande, tão grande
Este mar impossível
Este mar sem praias
Que me dissolve
E me resolve
E me deixa sem terra
A meio caminho do céu
Este mar é grande
E eu, tão pequeno
Sou tão grande
Por este mar estar cá dentro
E me dar a ser mais
Do que aquilo que eu sou.
Posted by
Verbo do Mundo
at
2:50 PM
0
comments
Adoro o Sol dos teus olhos
Suspenso no céu de quem és
Vivo religião antiga e natural
Sem escrituras que me guiem
Neste sentir de começos primordiais
Universos criados sobre o teu sorriso
Adoro esse Sol no templo que me sinto
Em liturgia sempre nova
Nunca lá fui
( E sempre lá estive)
Ao Sol dos teus olhos
Tenho medo de Ícaro
Quando o olho de olhos despidos
Vou tão alto que caio de mim
Vejo-me tanto que não me conheço
Sou tão eu que pareço outro
Preciso desta religião
Torna-me santo de mim mesmo
Sou sacerdote e noviço
Para adorar o Sol dos teus olhos
Em mistério sagrado da fé
Olho o Sol de frente
Com olhos abertos e francos
Revela-se o milagre
Em força sobrenatural
Quanto mais olho este Sol
Mais sou e mais vejo
E mais sei que quero ver.
Posted by
Verbo do Mundo
at
12:16 PM
0
comments
Não te vou perder
Porque nunca te tive
Não és coisa minha
És alma do vento e do espaço
Nunca te tive
Nem te vou ter
Mas tenho-te mais
Do que aquilo que é meu.
Posted by
Verbo do Mundo
at
12:13 PM
1 comments
Há poemas que não escrevo
Porque não lhes toco
Ou não me tocam eles
E andam por aí
À espera de serem escritos
Por vezes roçam-me a superfície
E quase os sinto
E quase os escrevo
Mas não se deixam saber
E fico amnésico duma lembrança que nunca tive
Às vezes começo-os e não os acabo
Como se conhecesse um rosto ao longe
Mas que é estranho quando lá chego
E não acontece a conversa
Que era suposto ter acontecido
Outras vezes nem se começam
Mas vêm tão perto de começar
Que fico inquieto e estranho
Mudo, em frente ao papel
Em tensão de acontecer que não acontece
Nestes momentos escrevem-se em mim
Vontade de qualquer coisa
Qualquer coisa na vontade
Que não é
E é por não ser
Escrevo este poema
A todos os poemas que não escrevo
Dando-lhes existência porque os falo
E os sei sem os saber
Por saber que nunca os saberei.
Posted by
Verbo do Mundo
at
11:52 AM
0
comments
Poesia
A minha casa é nos abraços de quem amo
E o meu jardim brilha nos olhos de quem me quer
A cidade que percorro constrói-se nas conversas e nos risos
Avenidas de luz aberta e becos secretos que dão para as traseiras
O meu emprego é amar
É ser lírico no meio dos burocratas
E servir utopia ao balcão da vida
Mantendo conta no Banco Sentir & Companhia
Produzo momentos que não produzem
E tenho o lucro de não dar lucro
Que eu sou muito mais que o preço que me dão
E tenho muito mais do que aquilo que tenho
Sou aquilo que se é por se ser
E tenho aquilo que se tem por não se ter
Choro-me porque não sou mais, é certo
Mas tenho-me mais por me chorar
Dizem-me que não tenho futuro
Que a vida não é feita de poesias e amores perfeitos
Mas o futuro vem sempre com o amanhã
E a minha vida é mais vida no amor da poesia.
Posted by
Verbo do Mundo
at
11:31 AM
4
comments