Riachos de arrepio
Na paisagem suave
Da carne
Inquietação
Do torpor
Ondas quentes
De veludo vermelho
Do desejo
Na margem do suspiro
Desdobra-se
Em quási-movimentos
Um fulgor aquém-memória
Germinação do sentir
Na floresta adormecida
Vale secreto do éden
A noite
Quente
Ronrona sobre os gestos
Manto que embala
O acordar da febre
No casamento da pele
Desvenda-se
O florescer sanguíneo
Que se abre ao beijo da vida
É o convite eterno
E terno
Nascente do grande rio sagrado
Majestade da doçura fervente
Coluna de fogo e mar
Descobre a rota do delírio
Até ao fundo mais fundo
Dos recantos da delícia
O gotejar de universos paraíso
Na gruta encantada do tesouro
Vai desnudando o dique
Que segura as formas
O caudal da fome
Escancara a carne
E transborda o ser
Obliterando as margens do sentir
O grito da Vida explode em infinito
Tremor soluçante dos perdidos
Que se encontraram nas alturas de si
Vertigem incomensurável da queda abrupta
No avassalador terramoto do prazer
Planetas de êxtase que se fundem
No glorioso mistério do início dos tempos
Deslizam Corpos Oceano
Espraiados à sombra da eternidade
Entregues às jóias do carinho
A pele não se destingue
Na beleza dos frutos da carne
E mesmo antes de adormecer
No sopé da grande Deusa-Montanha
Aquilo que toca o olhar
É o rosto do Amor.