Friday, December 20, 2013



Por tudo dançar
E por nada também
Cada gesto amar
Cada passo um àmen...

Somos céu e somos terra...
Universo em carne gente
Somos mar que não se encerra
Nas margens do indiferente

Assomo de flores no asfalto
Riso de meninos felizes
Vamos fundo e vamos alto
Coragem de aprendizes

Habitam-nos deuses e fadas
Apetites de animais ferozes
Caminhos, veredas, estradas
Somos das estrelas as vozes

Dançamos para que a vida se sinta
A sentir-se a ser dançar
E a ser vida não há quem minta
Porque tudo é ser...e ser é amar

E a luz que se dance !
E que se dance o choro !
Movimento de alcance
Alquimia do ouro...

Nascem mundos em cada abraço
Em cada encontro, uma catedral
Já não separam tempo, nem espaço
Pois cada sorriso é cor de Natal

Por tudo dançar
E por nada também
Cada gesto amar
Cada passo um àmén...


Monday, December 16, 2013


Desde o Início que Tudo iniciou
Éons incomensuráveis acabaram por acabar 

Nasceram e morreram biliões de galáxias
Colidiram infinitos planetas e as suas luas
E intermináveis sóis apagaram-se
Para acenderem outros infindáveis sóis
Que foram grandiosos sóis até deixarem de ser

A infinitude só é infinitude
Para quem não a vê até ao fim 

Mas nos teus gestos de amor
Nobreza de alma em flor
Acho a Eternidade de mim.

Toco nestas teclas
Onde escrevo

Não sei o que vou escrever
Mas oiço esta voz por dentro
Que me dita o que escrevo

E o movimento nasce
Cresce até aos dedos
Que batem nas teclas...

E eu sinto o prazer
Deste toque
Que cria sentido
Para quem entender este código

Linhas e curvas pretas
Contra um fundo branco
Tornam-se sons
Dentro da cabeça de quem as ler

Isso evocará pensamentos
Imagens
Sensações
Noutro que não eu

Lá, no outro
Onde estiver a ler
Longe daqui
Onde escrevo

E eu
Imagino quem será que me lê

O que sentirá essa pessoa
Como será ser esse outro
Como será estar nessa pele
Nessa vida

E sinto-me próximo dessa pessoa
Por pensar nela
Por imaginá-la a ler o que escrevo
Enquanto escrevo

Sentindo o toque das teclas
Nos meus dedos
Como se tocasse nessa pessoa
Dentro dela
Porque o que lê ouve por dentro
Com a sua voz

Por isso… estou a tocar-te
A ti
Agora
Por dentro
Neste momento em que lês
Estamos ligados
Enquanto eu escrevo e penso em ti
Enquanto me lês e sentes essa voz dentro de ti
Que te foi dada pelo que eu escrevi daqui

Anulamos distâncias e tempos
Ligamo-nos na dimensão do Ser

Não posso ser tu, nem tu podes ser eu

Mas somos irmãos, ambos filhos da Existência
E encontramo-nos no que nos damos a sentir

Enquanto escrevo
Enquanto me lês.

Monday, November 25, 2013

Se o vento fosse o pasto
Do amor que me guia
Seria no céu o seu rasto
Cometa vida e alegria

Teus olhos vêm-me mais Eu
Tua boca fala-me poema
Beijas tudo o que é meu
Não há mistério que eu tema

As ilhas separadas parecem
Mas liga-as o fundo do mar
Mesmo longe cá permanecem
Os tesouros do teu amar

Fauno, herói, dançarino
Floresta de rituais encantados
Sou gesto e corpo celestino
Gesta de povos enamorados

Amo amar este amor
Amo amar quem eu amo
Mulher beleza e honor
É teu amor o meu amo.

Friday, September 13, 2013

Começou por emergir um sorriso, quando te vi
Entraste em mim, enquanto te lia com o olhar
Lendo-te e sentindo-te
Lendo-me e sentindo-me enquanto te leio…saboreio

O sorriso espraiou-se até ao peito onde acendeu uma braseira quentinha,
Daquelas que afugentam o frio numa manhã de nevoeiro invernoso.

A braseira foi atiçada pelo combustível da possibilidade do desejo...

Um arrepio quente alcançou-me o ventre, enquanto as imagens e as sensações que me viajaste chegavam a mim...

Ouvi-te, senti-te, vi-te, e tudo era claro, vívido, presente ...

Num ecrã interior, onde todas as fantasias são reais, e os desejos alcançáveis... tangíveis... verdade... presença...

... o respirar elevou-se... o sexo elevou-se...

... tornou-se vivo, dono dele mesmo, tentando furar a impassibilidade das calças...
... como um cão que não quer estar preso e luta na sua ferocidade irreprimível para partir a corrente que o humilha...

E o teu cheiro, o teu calor, o teu olhar selvagem, tocaram-me na pele...

… por fora e por dentro...

... debrucei-me na vertigem...

Ouvi risos, que eram os nossos, mas que traziam algo de nós que era novo...

…surpreendentemente novo...

... quis afastar as presenças e os olhares das estátuas semi-vivas, que tentavam penetrar neste terreiro da loucura sagrada ...

.. em que nos despíamos de nós e para nós...

... desnudados de incerteza, glorificados de beleza...

... o nosso refúgio secreto no meio da multidão, é o centro da galáxia...

... é o palácio onde reinam os loucos e as feras...

... Taj Mahal vermelho onde acordam os anjos/demónio que fecundam a terra e põem vida nos mares...

... aqui dançamos...

Neste centro unificado onde o principio está sempre a acontecer...

.. dançamos debaixo das mesas, atrás das portas, no alto dos telhados...

... dançamos no cimo das águas, dentro das flores, no olhar dos pássaros...

... dançamos na beira das muralhas, porque rasgámos as mortalhas.. e as correntes...

E somos diferentes...

Dançamos, só por dançar... mesmo que não dancemos...

Porque a dança já não nos deixa...

Vivemos dentro dela... somos paridos por ela...

Porque a dança é a nossa Mãe....

A nossa Verdade...

E a nossa Verdade é a Vida

Thursday, June 20, 2013

Febre
Carne
Sentir aceso de vermelho
Rasgo purpuro poema
Vertigem assombro e fome
Orgasmos terramotos
Gemido dos que se perderam de si
Por se darem ao fim
E ao início
Sexo que ferve no sexo
Beijos mordedura
Gestos lâminas
Escancarar de rostos
Escancarar de verdades
Corpos vício e sombra
Rugir aberto aos incrédulos
Que se fodam os estreitos
Conceitos
Preceitos
Perfeitos
Que se fodam
Porque nos fodemos
E gostamos de nos foder
No riso desvairado e despenteado
No grito que usamos como bandeira
No rasgar dos mapas
No queimar dos livros santos
Queremos a surpresa e os espantos
Queremos a sede
O não saber
O não saber que sabemos
E que as putas sejam as santas
Largar o rosário e as infantas
E sermos a droga que nos droga
A carne que nos alimenta
O sangue que nos sustenta
E no suor que navegamos
Da fúria que explode no tempo incerto
Do prazer que nos toma em campo aberto
Nascer agora, já
Tudo começou, tudo acabou
Agora tudo é nosso, tudo é Tudo
E a puta que pariu se me importo
Que haja que importar
Seja depressa ou devagar
Que se estilhassem as fronteiras
E a merda das boas maneiras
Porque é aqui que eu quero estar
Corpo de terra e olhos de mar
Que morra agora ou viva para sempre
É no mergulho em ti que me faço gente.

Monday, April 22, 2013

São nos olhares de amor que nos perdemos, encontrando-nos no oceano do Nós.
 
As ilhas, separadas entre si pelo mar, estão todas ligadas pelo fundo onde assenta o oceano.
 
Também nós seres humanos, com tudo o que nos separa, liga-nos a existência, que se manifesta no desejo de amor.
 
Com o olhar simples e inocente de uma criança, sem julgamento ou análise, a existência do outro entra em mim.
 
Passo a ser mais, porque unido ao outro, que no fundo também é Eu, vivo um Nós sublime.
 
Os cientistas analisam e pensam o mundo. Os místicos são como as crianças, acolhem o mundo em si e tornam-se Mundo.
 

Thursday, April 4, 2013

No silêncio da pele
Acendem-se todas as poesias
De todas as línguas
Consagram-se todos os templos
A todos os mistérios divinos
De aquém e além memória
Reinos ou impérios

No infinito da pele
Onde se deitam os deuses
Depois de criarem os mundos
Assombra-se o coração rubro da Vida
Na surpresa incandescente do início
Onde as estrelas abriram os olhos
E o tempo jorrou-se no espaço

É no segredo da pele
Que cintila a jóia que me mantém:

A tua pele que visto como minha
Manto oceânico da tua presença em mim
Que já não sei que assim não seja
E já não lhe encontro o que seja fim.


 

Gosto · · · ·

Tuesday, February 12, 2013


Um seixo é montanha para a formiga
O átomo universo aos olhos do nada
Não há régua de cálculo que nos diga
Que sentir é certo além da fachada

Na sombra angulosa da história antiga
Um murmúrio secreto pode ser chicotada
E o verso forçado na velha cantiga
Trazer o perfume da pele amada
 

A cada sentir seu sentir se obriga
Todo o olhar tem uma forma privada
Tem os contornos do que nos fustiga
Ou a cor da ternura que nos é dada

E de todo o sentir que a vida me irriga
Abismo, mar aberto e enseada
Não há nada nele que eu não bendiga
Como a força da ida que traz a chegada.

Friday, January 18, 2013

Não sei o que é isto
Mas sinto o dia
Como lâmina de xisto

E nem sei porque disse isto
Talvez porque o que se ensombra
Quer a luz para ser visto

Sentimento misto
Feiura e beleza
Fome com fartura na mesa

Mas abraço-me na certeza
De que na doçura resisto
E de que é no amor que insisto

E, porque amo
Amo-me a amar
O amor que conquisto

E amo este dia
E a lâmina de xisto
E é neste amor que me Existo.

Monday, January 14, 2013

E o contorno dos corpos
Aceso pelo rosário da ternura
Descreve a história dos vivos
Que romperam a muralha amargura
 
Na sombra monumento
Ao fel do desamor
Acende-se a claridade do sentir
Irrompe o voo do condor

É pelas tuas mãos que me semeio
É no teu olhar que me anseio
No amor que me trazes ao peito
Já canta um coração sem receio.

Thursday, December 13, 2012


Os teus mamilos
São de fogo e são de vento
Na minha cobra língua
De ti tem estado à míngua 

São fogo porque ardem
Soltam chispa que me entumece
Carne quente do meio de mim
Grito carnal a dizer que sim 

São vento porque levantam
As velas do meu mastro
Deste oceano caravela
Que por te tocar se revela 

Os teus mamilos
São vesúvios rosados
Em erupções sempre novas
De meu desejo as trovas  

Sorvo-te os mamilos
Entrego-me a eles devagar
Para os dar a mim que mereço
Em prazeres que não confesso 

Lambo em febre os teus mamilos
Arrepios de vertigem a que me deixo
Vou tão longe neste sonho desperto
Por de ti eu estar tão perto 

Dou-te trinquinhas nos mamilos
Vontade de beijar a morder
Porque beijar-te é tão pouco
Neste desejo sufoco 

Ai, tão bom deixar-me ir
Deixar-me abraçar por esta tontura
Boca desejo a cobri-los
Sonhos de amor, teus mamilos. 

Tuesday, November 27, 2012


Chegou-me o demónio na noite 

Por vezes a noite chega como noite
Outras a noite chega como ser
Que traz o ser que somos
Ou que sentimos que somos 

Por ser 

Já vivi muitas noites demónio
Muitas 

Agora... 

Tento rodear-me o mais possível de anjos
Para que me venham na noite  

Por vezes o demónio volta
Como hoje 

Eu tento abraçá-lo
Como se abraça o escuro da noite
E as dores dos nossos filhos 

Afinal...
 
O demónio é só um anjo ferido.

 

Friday, November 23, 2012

Um sussurro doce e límpido
Como um riacho no veludo do musgo
Acordou-me a pele e as estrelas

Palavras carícia e sopro quente
Marotice do encantamento
Hipnose de astro que se inquieta

Mulher corpo lançando feitiço
Na fogueira dos afetos primeiros
Reacordar da fénix sanguínea

Prazer de resistir ao prazer
Desejo de desejar mais desejo
Nutrido na fome de si

A noite acende-se para o céu
O universo destapa-se dos lençóis
E, no instante anterior à criação

Retorno a mim no teu abraço.

Thursday, November 22, 2012

Escorre-me o tempo
Nas têmporas
O despeito
Afunda-me o peito

Mas são os dizeres sábios
Que me lambem os lábios
Que me deixam surdo
E contrafeito

Quero que a mudez
Me colore a tez
E que o ruído
Se cale de vez.

Porque queres despir-me das sombras?
Porque me recusas a noite?

Se queres a minha intensidade dentro de ti
Deixa-me a intensidade dentro de mim

No poço do segredo
Estão as formas do indizível
As memórias do degredo
As fomes do impossível

Deixa-me que me deixe sentir
Sente-me a deixar-me deixar

E quando me encontrares perdido
Perde-me... para me encontrares.

Tuesday, November 13, 2012


Sou o filho do céu e do inferno
Brilham estrelas no meu vazio
Lanço fogo que rasga do frio
Vulcão aceso na noite de inverno


Sou flor que ruge por entre alcatrão
Dor que fica do gozo arrojado
Fita vermelha em uniforme rasgado
Chuvada intensa em mês de Verão

Sou vaga que bate nos adamastores
Sonho de preso no forte dos bons
Não sofro de cismas, virtudes ou dons
Nem das febres dos sábios doutores

Sou a sombra desperta no nevoeiro
O riso na véspera da multidão
Anéis de saturno ao alcance da mão
Abraço do Mundo no corpo inteiro

Sou a força gentil do amor verdadeiro
Sou todos aqueles que em mim são.

Monday, November 5, 2012

No espaço entre palavras
Desfiladeiros do indizível
Vive o infinito silêncio
As possibilidades sem fim

Em tudo o que há por dizer
Nada diz o que vou sendo
E de dizer me arrependo
Ao limitar-me assim

Escrevo sem saber aonde vou
E quando lá chego nunca lá estou
Mas é neste caminho para não me encontrar
Que me encontro a mim.

Sunday, November 4, 2012

 

Traz-me a noite ao sentir
Chama os pássaros dourados
Se morrer é partir
Parto e levo os pecados 

O vento sopra onde quer
A chuva molha onde cai
Sombra amarga mulher
Dá-me peso e não sai 

A muralha resignada
Que te guarda o rosto
É uma estátua de nada
Fenda no chão do desgosto 

O tempo que não te perde
A  fúria que não te esgota
A paciência que já fede
A esperança já está rota 

Ainda assim ergo o queixo
Abro o peito à aurora
E é no amor que me deixo
Enquanto o segredo me chora.

Tuesday, October 30, 2012


 Olhar supremo
Subitamente eterno
Como as flores da inocência
Na manhã do primeiro dia 

Olhar que me corre dentro
Que me percorre dentro
Plantando oásis nos cantos da fome
E sonhos de vida no cantar de menino 

Olhar que descobre a lágrima de sal
Que se traz à luz do amor
Desde a remota nascente invernosa
Dos gestos trémulos e dos passos perdidos 

Olhar que me abre o olhar
Que me abre o (a)mar interior
Onde navego com bússola coração
Zarpando, imenso, da deserta praia solidão 

Cheguei ao teu olhar
E ao chegar, tão longe que cheguei
Foi a mim que encontrei
No fundo, mais fundo, do teu olhar.