Wednesday, May 13, 2009

Fundo do Poço

Na queda olhava o fundo

Tentando antecipar o dano

Do embate todo humano

De quem lhe dói o mundo


E por olhar para o fundo

Nem sonho de luz via

O negrume não alumia

No seu abraço rotundo


Precisou bater no fundo

Sofrer a dor do embate

Desamparo sem resgate

Ricochete imundo


Para a queda ser parada

Que todo o ser lhe doa

Neste fundo de ser pessoa

Mentira derrotada


O fundo também é chão

Sustenta o levantar

E agora já pode o olhar

Erguer-se em elevação


E é no escuro menos dia

Abismo que tudo reduz

Que consegue ver a luz

Que a cair não via.

1 comment:

maria said...

és mesmo essa pessoa, aquela que escreve aquilo que eu tb já encontrei, o querer procurar o fundo.

Hoje está presente demais a sensação e a vontade de mais um desafio... ir
E como eu amanhã desejava já estar num jardim cheio de verde e luz.

Mas sabes?

Não sou eu nem tu nem nenhum ser humano que decide.

Irei um dia, e até lá e muito raramente o acaso da vida que dá pelo nome de "humana", nos faz encontrar alguem igual.
Obrigada.
Sinto-me neste instante menos só.