Wednesday, February 13, 2008

Escrevo do sangue
Da lágrima mordida
Do grito apagado
A queimar por dentro

Escrevo da paz e do sonho
Que me chega de mansinho
Por estar deitado na vida
Ao sol dos meus amores

Escrevo porque não sei
E escrevo porque não quero
Nem sei se vou querer
Querer mais do que sei

Escrevo para escrever
Dou som ao que sinto
Trago verdade ao que minto
Entorno-me em palavras

Escrevo para sair para fora
Para a rua dos olhares
Abrindo-me em janelas
Onde o mundo vem conversar

Escrevo porque sim
Não sei fazer diferente
Habitam-me outras histórias
Que me movem o olhar.

3 comments:

Papoila said...

Ainda bem que te entornas em palavras ...assim vou as apanhando uma a uma feito pérolas.

Beijos
BF

Raquel Vasconcelos said...

Escrevo da raiva do fim do mundo, escrevo porque ainda hoje a pobreza me pediu de mansinho uma dúzia de centavos e eu não pude virar a cara mas nada tinha para dar e cerrei as pálpebras.
Escrevo da solidão que me impus em ritmos teatrais e peles inutilizadas pela passagem do tempo.
Escrevo porque urge não morrer sem contar o que vi! E disso eu quero falar, GRITAR!
E imensa ironia... iram deitar as milhas palavras a uma fogueira... a fogueira do mundo.


Continua ainda assim a escrever...

jorge vicente said...

escreves porque a palavra, a inspiração assim o exige.

os teus poemas são fantásticos. saídos de dentro.

um abraço
jorge