Wednesday, January 17, 2007

Terra de muitas lavras
Gravidez inconsequente
Futuro já presente
No vício das palavras

Sou lexicodependente
Este prazer que não chega
Dormir que não sossega
Plenitude carente

Não digo o que quero
Quero o que não digo
É escrever de castigo
Já silêncio não espero

Benditas palavras mal ditas
Vingo-me do acervo
De preso estar ao verbo
Malditas palavras bem ditas

Do ser já sou turista
(Sem fim) Escrevo p’ra que chegue
Silêncio que me descegue
As palavras tiram-me a vista

Tenho dor de palavrar
É a dor que me vive
Escrevo onde ainda não estive
Só por medo de acabar.

1 comment:

Clara said...

Não acredito que tenhas escrito estas palavras só por escrever, palavras soltas sem sentido.
Tudo isto vem do local mais profundo da tua alma, o teu subconsciente diz-te o que sentes, mas não acreditas que sejas tu, bela alma poética e sonhadora que navega pela escuridão da floresta à espera de ser salva pelo brilho da luz.
Umas vezes permites-te caminhar pelas nuvens, voar, fugir, mas outras ficas preso ao solo como uma velha árvore acreditando que as coisas têm de ser como a sociedade nos faz crer todos os dias que assim é o correcto.
Um dia todas essas palavras deixaram de ter sentido, mas por enquanto...

Beijo